20/09/2011
Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.
Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".
Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.
As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!
Este texto é do Pedro Bial, queria que fosse meu. É tudo que sinto e penso hoje. É a minha escolha.
MEU MANTRA
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa... amo!!
Posso ser homem, mulher, branco, negro, mulato, mameluco ou japonês. Posso gostar de carne, de espetinho de gato, do hamburger da esquina ou de pizza fria. Posso ser vegetariana, atleta, controlada, obcecada. Posso ser uma doida varrida, às vezes, enclausurada na minha própria casinha-casulo, minúscula, um pouco limpa, um pouco suja, mas muito minha e apenas minha. Assim como posso ser falante, andante, viajante, multifacetada, antenada, de cara lavada, de chinelo de dedo, sem relógio, sem tempo, sem rotina, sem agenda, sem patrão, sem sermão, sem saber se o pão de amanhã estará na mesa. Que mesa? Não há mesa, nem toalha xadrez, nem cadeira de vime, nem margarina, nem manteiga, muito menos doutrina que me diga se estou certa ou não.
E assim posso ouvir as conversas dos outros, falando de mim, que sou chata, indiferente, mas também boa gente, que não me misturo, mas não falo das pessoas, não crio fofoca, não dou palpite, não me meto na vida de ninguém. Porém, conheço todo mundo, desde a pequena menina até a velha tia, todos os bares da cidade, todos os garçons, os andarilhos, os flanelinhas e as putas da esquina e, também, as de boa família. Conheço o gerente do banco, o dono do supermercado, o político ascendente e a famosa loira um tanto decadente, mas que ainda faz o maior sucesso na roda dos moços e nos ti-ti-tis dos salões de beleza. E trato todo mundo igual, com calma, com educação, sem ofender ninguém e sem dar margem para invasão. Invasão de espaço, de idéias, de modismos, invasão de gente, por todo o lado, como um mundo saturado, poluído, diluído, sem emoção porque tudo virou banal, virou demasiado, virou publicado em jornal, em revista, na internet, no blog, no panfleto da rua ou na porta do banheiro público, cheio de histórias, de nomes, de palavrões, de números de telefones e do desabafo sem nexo ou tão complexo que oportunamente aparece anexo ao novo rumo que a vida toma, a qualquer tempo, em qualquer espaço. Espaço com abertura para a fuga.
Fugir é a decisão. É o rumo e não a contramão. Fugir da própria vida, do eu interior, do sofá do psicólogo, do mestre de disciplina, da fila, da semana vazia. Fugir do aeroporto, escapar da viagem ou do encontro marcado. Fugir de mais um dia, dos ponteiros do relógio, do tempo escasso, do horário congestionado e do dia a dia controlado. Fugir da consulta médica, da aula de inglês, da secretária, da reunião com o chefe, do pilates, do café com a família, do vigia. Fugir para qualquer lugar, apenas para se encontrar e começar um novo dia.
Fazer tudo de novo, tudo igual, tudo banal, apenas carnal, sem emoção, sem intenção, sem vontade ou intensidade. Que graça tem? Eu sou diferente, não quero rotina, quero sair de um jeito a cada dia. Posso ser magra, gorda, básica, perua, tímida, expansiva, mas nunca vazia. Quero ser louca, sexy, arrogante, mas também quero ser boa menina, obediente, sorridente, travessa, assanhada. Também quero uma agenda lotada. Posso ser oito, posso ser oitenta, posso ser o que bem quiser, porque sou diferente, e ninguém tem nada a ver com isso, apenas tento ser coerente com os meus pensamentos, com a minha vida, com meu jeito único de ser, afinal, sou um ser singular e ponto final.
04/09/2011
london again
0 comentáriosAug. 21 arrived back in London now ... do not know how long I'll stay, but I know that I will take away new experiences Edar myself some great chances to learn to be happy ... just wait!
Perplexa, digo-te que em mil pedaços. E confortavelmente sentadas, pegámos em cada uma das pecinhas coloridas e brilhantes e com elas tecemos um maravilhoso manto. E sob ele nos aconchegámos. Cheias de amor.
31/05/2011
Ando cansada...
Pessoas me perguntam porque eu ando tão quieta... pq eu não saio e quando saio pareço um poste sem vida, pq eu passo mais da metade do meu tempo no meu computador, pq eu ando sem paciência. A resposta é simples, eu estou cansada. Não é apenas cansaço físico, é mental.
Picture yourself.... somewhere
0 comentáriosUma certa madrugada me fizeram uma pergunta e eu não soube responder, ou melhor, não soube verbalizar a resposta que eu tinha pra aquela pergunta.
"Onde você se imagina daqui a cinco anos?"
O que eu respondi? O óbvio, uma resposta evasiva e vazia, típica de quem bao se importa demais com a opinião alheia.
"Cinco anos é muito tempo, imagino que até lá eu tenha conseguido ser feliz. Com um salário que baste pra eu ter minha própria casa, sei lá"
O que eu realmente estava imaginando? O que eu sempre imaginei pro meu futuro? A única coisa que qualquer mulher imaginaria.
"Me imagino acordando de manhã, o sol entrando pela frestinha da janela, junto com uma brisa que não me deixa morrer de calor, meus olhos ainda estão fechados e eu estico a mão pra me espreguiçar, suspiro. Meu braço encontra um obstáculo ao meu lado na cama, me viro ainda de olhos fechados e pouso a mão sobre suas costas, passo a ponta dos dedos pela sua coluna, abro os olhos só pra me deliciar com a sua imagem acordando com aquele sorriso que me derrete, dizendo "bom dia". O despertador toca. Pouso a cabeça no seu ombro pra aproveitar o fim do momento que eu queria pausar, mas não preciso. Levanto e vou pro banho, você vem comigo. Temos que nos levantar quase duas horas antes de sair de casa, porque se a gente não ajuda a acabar com os recursos do planeta no banho, não somos nós."
Mas claro que a resposta óbvia cabia muito mais na ocasião. Ninguém em sã consciência admite que daqui a cinco anos, uma manhã de sol basta. Porque quando a gente acorda exalando toda felicidade do mundo não há como não fazer tudo, sem exceção, com prazer, só pra ter o gostinho de outra manhã brilhante. Pessoas felizes são mais bem sucedidas porque a amargura não os atingiu, e o mau humor não consumiu os dias e não lhes trouxe rugas de preocupação sobre o futuro porque vivem um dia de cada vez pra aproveitar as manhãs de sol e distribuir ao mundo a alegria que tem de viver, ser feliz a cada dia, um dia de cada vez.
10/05/2011
Eu queria uma casa assim
cheia de mato ao redor
uma varanda e uma rede preu deitar com meu amor
de la ver estrelas e o luar
queria ouvir bichos de todo tipo
passaros. bois. vacas. carneiros. galinhas e patos
Eu queria um lago azul em frente de casa
preu tomar banho e pescar
um cesto e um anzol bem bonito
deitar na beirinha e ver um bocado de peixe saltar
Eu queria ela bem arrumadinha
com cortinas coloridas, colchas de retalhos e metalassê
preu poder sorrir de felicidade ao olhar
Uma mesa bem grande na cozinha ou na sala de jantar
tomar café todo mundo junto e prosear ate perder o assunto
Eu só queria morar com minha Família longe do Povo e perto de Deus...
Pity
A arte de ser feliz
Cecília Meireles
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
-O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."
Clarice Lispector
As pessoas brigam por dinheiro, por opinião, por coisas insignicantes e idiotas e esquecem que são Família...nem sabem o que isso significa...e ainda se juntam nas datas festivas pra comemorar o quê?
Minha mae...
0 comentáriosComo é triste ver vc assim tao dependente feito uma criança aprendendo tudo de novo...
Se essas pessoas soubessem que tudo que precisas agora...é so amor!
Como é triste nao ouvir mais as tuas broncas, teus conselhos, tuas histórias...
Como é triste ver teu olhar de inocencia querendo ver qualquer gesto engraçado pra sorrir...
Como é triste não te ver mais abrindo o portão de tua casa para eu entrar...
Como é triste não ter vc na cozinha fazendo aquele bife gostoso, aquele doce de leite e me dando a panela pra eu lamber...
Como é triste não te ouvir reclamar dos meus passos arrastados iguais os do meu pai...
Como é triste não poder mais olhar as fotos do passado juntas e ouvir vc contar cada passagem com tanta convicção...
Como é triste não escutar vc me perguntando se eu estou precisando de alguma coisa...seja ela qual fosse vc sempre estava lá...
Triste mesmo é não poder te ajudar a voltar a ser como antes...cheia de vida, responsavel pela casa e não deixando ninguem se meter na maneira como arrumava as coisas...as suas coisas, que tinha tanto apreço e resmungava comigo quando eu mexia...
Queria tua voz firme de novo
Teus passos seguros
Teu olhar brilhante
Tuas mãos habilidosas
Tua vida de volta...
Eu te amo mãe...mesmo sabendo que em cinco segundos tu esqueces quando te digo isso...
Pity
13/04/2011
Fui ate o quarto e pus aquele vestido vermelho que voce gosta
pus batom e um cd pra gente dancar
Na sala voce ja tinha colocado o vinho, cortado o queijo e dado um jeito na luz
Me pegou assim de um jeito, me colou em seu peito e sem me dar nenhum tempo
dancou com suas maos em meu corpo, descobriu meus seios e bebeu vinho aos goles, alisou minhas coxas, me beijou com gosto de porto, e assim fomos caindo mansinho no tapete da sala nua
O cd continuou a tocar e nos a dancar, suas coxas em minhas coxas num vai e vem, num bolero de arrepiar
Quando a musica acabou, entre vinhos e gotas de amor
Saimos com os corpos nus pela varanda de casa, olhamos a rua, os carros, as pessoas e a lua
Sorrimos e voltamos pra nossa sala...nua...
Pity
Obrigada
Pelos teus gestos sempre desajeitados
pelos teus cabelos emaranhados
pelos nossos sonhos, quase sempre realizados....
Obrigada!!
Pelas horas em frente a TV
pelos filmes, o guarana e a pipoca
pelos sorvetes derretidos na cama...
Obrigada!!
Pelos carinhos em dias de frio
de calor, de sol, de chuva....
Por me abraçar o tempo todo
por me poupar quase o tempo todo (das coisas ruins)
por me acompanhar até o portão
por me buscar no trabalho
por me ligar só pra dizer "te amo"
por me beliscar pra ver se to acordada
por me dizer meias verdades
por cantar para mim
por ser uma pessoa meia sincera (para que eu nao me machuque)
Por estar comigo quando alguém se vai
por estar também quando alguém chega
por rir, da luz queimada, do meu umbigo, das minhas palavras inventadas
por tentar consertar as coisas quebradas aqui de casa
por querer sempre tocar em meus machucados pra sarar (risos)
por me deixar dormir em seu colo
por dormir no meu colo
por esquecer suas blusas de frio quando a gente vai viajar
por me perdoar
por estar comigo quando ganho
por estar comigo quando perco
quando choro desesperada
por pegar em minha mão quando eu estou com medo
por dividir pizza e deixar que eu coma o maior pedaco
dividir a vida...
por sorrir o tempo todo,
por escrever cartas
por ter paciência de ler as minhas
por ser sempre você
e por lutar todos os dias so pra me fazer bem....me fazer feliz...
Por toda essa "vidinha” que vivemos..... AMO VOCÊ!!
Pity
Eu sou assim
Duas mulheres dentro de mim…
Às vezes três
Quatro... cinco... seis...
Talvez seja uma por mês.
Diversifico-me
Existe momentos em que dou um grito
Existe outros em que vivo um conflito
Apresento ao mundo a minha dor
Em outros momentos, só consigo falar de amor
A mais romântica
Melodramática
Imóvel
Chorosa ou nervosa
Carente ou decadente
Vingativa ou inconsequente
É nestes momentos em que eu não me apercebo
E transformo-me numa mulher cheia de medo
Cheia de reservas
Coberta de subtilezas
Séria e sem defesas
No minuto seguinte
No papel de mulher fatal
Transformo-me logo na tal
E nesses momentos sou a dona do mundo
Segura e destemida
Presunçosa e atrevida.
Rasgo todos os meus segredos ao meio
E exponho-me num letreiro
De poesia ou texto
Assalto, incendeio...
Conto o que ninguém tem coragem de contar
Explico detalhes que nem é bom me lembrar
Sou assim
Várias de mim
Sorrisos por fora
Angústias a toda hora
Por dentro um tormento
No rosto nem um único sofrimento
No corpo uma explosão de prazer
Nos olhos, deixo o meu desejo se perceber
O melhor é ninguém me conhecer
Fiquem apenas com as minhas letras
Com as minhas palavras
Na vida real sou muito mais complicada
Sou uma em mil
E quem tentou, descobriu
Que viver ao meu lado
É viver dentro de um campo minado
Que vai explodir em qualquer momento
Mas quem esteve nele
Nunca mais quis fugir
E ainda hoje se cá encontra.
08/04/2011
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menina e senhora
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
de femea
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulta
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
a constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.
e eu encontrei
Texto para uma separação
Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
I N T I M I D A D E
0 comentáriosO que será a Intimidade, se não o "conseguir fazer chichi com a outra pessoa ao lado"?
22/03/2011
Manual do ressacado
por TõeRoberto
Ontem bebi pra cacete pra ficar de ressaca hoje e escrever este manual. Só pra ser o mais realista possível. Isto é o que pode ser chamado de Arte Visceral.
A tela do monitor tá cheia de luzes piscando. Não sei se eu que tô piscando luzes ou se é monitor que tá luzindo piscados.
Mas vamos lá:
Sintomas clássicos da ressaca , os que eu estou sentindo agora:
“Ai, gira/girou…” Tonteira. Leseira. Falta de chão. Vista turva. Zumbidos nos ouvidos. Problemas com luzes, sol, sons, broncas e sermões. Sensibilidade a cheiros (principalmente frituras). A cabeça dói pra cacete (um trem de carga passa dentro dela a cada 10 segundos). Um troço vivo dentro do estômago passeia pra cima e pra baixo, querendo sair. Uma dorzinha de barriga chata. A cama não para no lugar. Roda, roda, roda, quer sair pela janela. Uma sede interminável. Um gosto de não sei o quê na boca. Uma vontade danada de ficar encolhidinho num canto. Tristeza. Sofrimento. Depressão. Desespero. O dia que não passa. Vontade de morrer. Uma forte vontade de me matar, de sumir… uma saudade danada da mãe.
Ah! e nunca se esqueça: cu de bêbado não tem dono. O que não é o meu caso, é claro!
Com uma hora de ressaca aprendi:
A ressaca nos faz melhores, humildes, quietos, promesseiros, carentes… e crianças novamente. Já chamei a minha mãe umas 10 vezes. Só que ela mora a 3000 kms de distância. Chame a minha mãe, pelo amor de Deus!: eu quero deitar no colo dela e ficar bem quietinho.
Se acordar de ressaca nunca acenda a luz. Ressaca e luz não combinam. Sol, então, nem falar. Ressaca é bom em dia de chuva bem frio: quarto escuro, embaixo das cobertas – quietinho – caldinho de batata bem quente e, de vez em quando, um suquinho de laranja. Ah! não se esqueça do Engov. Você já tomou o antes, o durante, agora é a hora de você tomar o depois. Toma logo uns 03 pra ver se o trem para de passar dentro da cabeça.
Voz: ai! Som: ai! Luz: ai! Bronca do amorzinho: ai!
Não se trabalha em dia de ressaca: a possibilidade de você fazer merda e ser demitido é muito grande. Também não se procura emprego em dia de ressaca: vai que você arruma.
Escovar os dentes muitas vezes para tirar aquele gosto, qual é mesmo? Cada um tem o seu: corrimão de repartição pública, coturno de soldado, cabo de guarda-chuva, cédula de 01 real, apoio do metrô, roleta de ônibus, taco de bilhar, botão de elevador, cordão de descarga de vaso sanitário, puta que pariu de táxi… merda mesmo!
Jamais passar perto de um pedaço de bacon cru, igual aquele que você comeu ontem. Quanto foi? 300 gramas?
Ah! e aquele caldão de mocotó que você tomou para encerrar a noite. Procure apagá-lo de sua memória. Proíba-se de pensar nele senão vai dar merda.
Tô falando você, mas foi tudo o que eu fiz ontem.
E vou te dizer: eu tenho um tio que já tentou se matar umas 10 vezes por conta de ressaca. Quando ele amanhece no estado, a família corre e esconde facas, cordas, armas senão ele faz merda.
Também tive uma namorada que toda vez que ficava de ressaca pedia pra eu acabar com o sofrimento dela: tipo matar mesmo.
Outra coisa: tenha muita calma porque o dia do ressacado é longo e cheio de sofrimentos. Tv, cama, banheiro, janela, tv, cama, banheiro, janela. A gente não sabe o que quer. Tá tudo ruim… e bota ruim nisto!
Nunca marque compromisso nenhum em dia de ressaca. Jamais! Nem para encontrar a Sharon Stone… ou o Brad Pitt!
Nunca deixe contas pra pagar em dia de ressaca, senão você vai pagar juros, porque as filas do Bradesco e ressaca não combinam.
Muito importante: fique bem encolhidinho na hora do sermão do amorzinho. Aumente o seu sofrer. Ela vai falar, falar, falar pra cacete, mas depois ela vai ficar com dó e vai na cozinha fazer um caldinho de batata quente para você. Amorzinho de ressacado tem um coração do tamanho do mundo.
Prometa umas 50 vezes durante o dia que você nunca mais vai botar cerveja na boca. Prometa que você vai virar crente. Que vai virar pastor da Universal. Prometa que você vai virar corintiano.
Procure dormir durante o dia para se esconder do sofrimento.
À tarde, quando levantar, tome um banhozinho bem quentinho, se vista e vá até a cozinha. O amorzinho já preparou um ranguinho mais reforçado pra você. Sente-se, coma feito um cavalo, tome um cafezinho bem quentinho, sente na frente da tv e comece a esquecer sofrimentos, promessas… e a vergonha!
Vá até a cozinha, abra a geladeira, pegue aquela Brahma que escapou de você ontem por milagre, abra, corte um pedação daquele bacon cru e comece tudo de novo.
Rapaz, você é um sujeito muito sem-vergonha!
Já que começou de novo, não se esqueça do Engov: 01 antes…
Benhê, cadê o meu caldinho de batata?
"Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor." Nelson Rodrigues
Amor siames
No início, pensei que ela só queria um pouco mais de carinho...
Um pouco mais de atenção todos os dias.
Mas depois era andar de mãos dadas na rua, abraçados em casa, agarrados como siameses na cama.
E de repente eu só podia falar com ela, comer com ela, respirar com ela.
Os dias se repetiram...
E repetiram...
E eu fui me fundindo a ela, me incorporando a ela.
Agora, não sonho mais sozinho; sonhamos em conjunto o sonho autorizado por ela.
Não vivo mais sozinho; vivo a vida determinada por ela.
Estou perdendo os movimentos, ficando cego, surdo e mudo... e não sei mais o meu nome.
E não sei mais se eu sou eu ou ela...
Ou se existo!
Toe Roberto
Coração de pedra
Eu disse: não!!!!!
Não deu tempo, ela pulou de cabeça.
Caiu de mau jeito bem no canto esquerdo do meu coração.
Arranhou o orgulho, quebrou o encanto... começou a chorar.
E eu senti as lágrimas correrem dentro de mim.
E não pude fazer nada.
Isso é pra ela aprender a não se meter com a minha insolência.
E parar de procurar diamantes no meu coração de pedra.
Toe Roberto
21/03/2011
"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."
(Clarice Lispector)
09/02/2011
Nossos
0 comentáriosA cama deles ali, e ele deitado como quem não quer nada, como quem nada pensa, sereno, meio de lado, peito aberto pra lua e sonhos encaminhados pra alguma outra pessoa bem mais leve do que ela conseguia ser. Ele ali, deitado na cama deles, abraçado com seus travesseiros, olhos entre abertos e poucas preocupações.
Do outro lado estava ela. Rosto virado pra parede, ombros tensos, olhos marejados por não saber mais se tudo aquilo que ela tem mania de chamar pelo possessivo de dois, realmente ainda lhe pertencia. Ficava pensando se era assim mesmo, depois de muitos anos, que os casais se separavam naturalmente. Sem brigas, sem escândalos, sem outras pessoas e sem problemas fáceis de estipular um motivo, um limite, um porquê. A cama perfeita, o lençol esticadinho, ele tinha o espaço certo de se mexer com folga e ela já tinha se acostumado a dormir toda encolhida na vontade de suprir o abraço, a conchinha ou o chamego que há tanto tempo não vinham.
Em poucos segundos ele adormecia e seu sono, junto com seus sonhos, iam para sempre mais longe, alavancados por cada um dos suspiros longos que ele suspirava ao dormir. Ela, muitos e muitos minutos depois, permanecia acordada, remoendo na sua cabeça todas as coisas que ela pudesse ter feito errado, matutando a noite toda se a culpa era dela.
E os dias eram tão ocupados, ela nos compromissos dela, ele nos afazeres dele, que ficava ainda mais difícil de entender o quê ainda segurava os dois juntos todas as noites, ali naquela mesma cama tão quieta e tão barulhenta. Se ela conseguisse emudecer seus pensamentos por um segundo, igual faz o controle da TV, seria realmente o quarto mais pacífico do mundo, nenhum barulho, nenhuma voz, nenhum sussurro, nenhum gemido, nenhuma jura de amor, nenhuma briga, nenhum nada. Sua cabeça a mil por hora, barulhenta e seu quarto calmo, cheio de nada.
Levantou da manha num impulso de gato, tão milimetricamente calculado que não esbarrou em nada, nem no silêncio. Vestia regatas, calcinha e meias. Vestiu calça jeans, casaco e botas. E foi embora.
Na manhã seguinte, depois de ter andado por horas sem saber exatamente pra onde estava indo, começou a sentir o ar entrando em seus pulmões, a cabeça ficando mais leve, sem tantas idéias de culpa que por tanto tempo ela tinha acreditado que devessem ser dela. Na manhã seguinte, ele acordou com frio. Olhou pro lado e sua cama de lençol perfeitamente esticado estava fria. Olhou dentro do armário e percebeu que todas as coisas dela ficaram lá não porque ela pretendia voltar, mas sim pra mostrar pra ele que não são as roupas, os livros ou os corpos de alguém que fazem aquela pessoa presente. Ela já não estava lá há tanto tempo.
Andou pela casa por vinte minutos. De um lado ao outro, meio atordoado. Sua cabeça começou a maquinar tantos pensamentos confusos, começaram a surgir, então, as dúvidas, as indagações, as sensações de culpa. Percebeu que estava sem ar.
Duas horas no pronto socorro depois, voltou pra casa e decidiu que não mudaria nada de lugar, porque embora ela tivesse ido embora na madrugada, como gato, sua cabeça poderia esfriar e ela voltaria, ela tinha que voltar. Mas o que ele esqueceu de pensar é que quem a mandou embora foi ele mesmo. Sua cabeça barulhenta não a deixava mais trabalhar, pensar, sorrir ou dormir. E agora, andando sozinha o vento batia em seus cabelos e sua alma estava quieta. Ela não tinha medo do frio ou da falta de abraço porque percebeu que quando se está sozinha, se algum abraço vier vai ser surpresa boa. Ela gostou da idéia de não ir dormir ao lado de certezas ruins todas as noites.
E o apartamento deles continuava sendo deles tanto no contrato, quanto na decoração e também dentro de cada armário e caixinha, onde ela deixou tudo aquilo que um dia foi dela mas que ela percebeu não precisar mais; percebeu que era nada mais que puro apego. O apartamento, a cama, os lençóis e os travesseiros deles, nossos, como sugere o pronome possessivo de dois e ele esperando que um dia ela voltasse.
O que ele não entendeu, no final, é que pra ser nós há de se ser um, dois em um, e o egoísmo dele fez com que ela percebesse que valia mais a pena ser feliz sendo só. A prisão que ele vive hoje em dia foi responsável pela libertação que ela vive agora.
E infelizmente, depois de tantos anos se sentindo culpada por tudo o que ela não fez, nesse exato momento culpa era a última coisa que ela sentia. Ele está preso, mas ela está viva. Sem culpa.
Rani Ghazzaoui
Quantos medos cabem dentro do coração de uma pessoa só? E dentro da cabeça? Quantas paranóias um indivíduo consegue, completamente sozinho, criar e cultivar tão fielmente que acaba por virar prisioneiro das suas próprias invenções, creditando a elas verdades que não existem?
Toda mulher tem um pouco de psicopata, tem um pouco de louca. Toda mulher acha que seus problemas são cíclicos e passa noites em claro tentando achar em traumas do passado a resposta pra pergunta que ela passa dias inteiros repetindo sem resposta nenhuma chegar à galope. Respostas para perguntas criadas por você mesma, que resolveriam aquele problema sério que você mesma inventou, nunca vêm porque não existe ninguém no mundo além de você mesma que seria capaz de inventar tais respostas. A equação e a solução em você, mas você sempre muito complicada pra descomplicar. Você equação do segundo grau, com cálculo de logaritmo e sem calculadora nenhuma ao alcance. Nem você se alcança de tanto que corre por aí procurando resposta pra tudo quanto é coisa.
Todas as mulheres que moram dentro de mim – e delas eu posso dizer –, nas nuances das minhas trocas de humor e na rápida transição de estilo nas minhas trocas de roupa, têm em comum a coisa mais incomum do mundo: a minha loucura exata. Exata porque enquanto enlouqueço é como se houvesse fora de mim outro eu, que de lírico não tem nada já que passa todos os minutos (ou horas) da minha psicose analisando tudo racionalmente enquanto dentro pode ser raiva fervendo, sangue borbulhando, pulmões cheios, amor brotando, cabeça confusa, coração hiperventilando.
Você diz que é falta do que fazer ou que é muito tempo para pensar. E eu acho engraçado você fingir que a razão é simples assim simplesmente porque você não é capaz de entender; impossível julgar o que não se entende. Acontece que não é exatamente o que eu faço no meu dia que determina quando eu vou deixar de ser eu pra me tornar uma delas, não é porque você merece que eu morra de ciúme que eu respiro rápido todo o ar ao seu redor no minuto em que você chega só pra farejar em que ares andou você, não é porque eu acho que você se compara a tudo o que já passou que acabo te dando o mesmo tratamento de quem só merece ser destratado por mim. Se fosse simples, e se eu soubesse explicar o porquê de tantos detalhes, eu pegaria a sua mão e enrolaria ela em volta da minha cintura pra sempre porque as neuroses todas saem de uma porta que existe no meu teto e todas elas têm a ver com a minha neurose máxima, que é perder você pra sempre.
E aquele dia que eu acordei chorando porque sonhei com o que eu nem queria dizer, eu chorei porque entendi que não eram as outras pessoas que nos ameaçavam, não eram os seus sentimentos que poderiam mudar do dia pra noite e me deixar de supetão, não eram as outras mulheres, os outros homens ou qualquer uma das outras todas possíveis razões. Aquele dia eu chorei soluçando profundo e te abracei tão forte que quase te prendi o ar porque eu percebi que não são as outras coisas, as outras pessoas e nem nada que esteja nesse mundo concretizado. Chorei mais porque as frases se repetem, os parágrafos aumentam e o texto fica a cada minuto mais longo sem eu conseguir admitir pro espelho que não posso apontar dedos de culpa pra ninguém fora do meu próprio espelho. E afinal, me diga, quem é capaz de me salvar de mim?
Não sei quantos medos ou quantas pessoas diferentes vivem ou cabem dentro de mim. Não sei porque eles teimam em ficar mesmo quando eu penso que está tudo resolvido e não sei porque vão embora quando eu acho que está faltando inspiração na minha poesia e um bocadinho de loucura não me faria mal. Não sei se um dia você e todas as outras pessoas vão cansar de todas as mentiras que eu repito de jeitos diferentes há tantos anos pra não perder o meu quinhão de atenção. Não sei explicar essa minha necessidade de tanto me explicar pros outros, que é pra ver se um dia eu me aceito e aceito que por mais que eu sonhe em ser perfeita as minhas imperfeições são exatamente o que fazem de mim uma pessoa que não tem iguais. E o mais engraçado da minha paranóia é que meu maior pavor é justamente esse, de acabar um dia sentada no alto das minhas análises e dos meus medos exatos, vendo de lá de cima da minha crise esculpida à mão você indo embora com alguém absolutamente comum e descomplicadamente normal.
Não são as outras pessoas, não é o que elas possivelmente têm e eu não, não é questão de beleza, não faz relação com o amor que eu sinto, não é uma ofensa à minha inteligência, não diz respeito à minha auto-estima, não é você, não é o que você me diz e nem o que eu ouço. Às vezes a gente não quer encarar a solução de frente, e aceitar que a melhor solução pra um relacionamento disfuncional é terminar tudo pelo bem de todos.
A resposta pra minha crise eterna (e interna) não vai sair de nada, de ninguém, nem de nenhum lugar e vou ser obrigada a usar o clichê de todos os finais e dar um pé na minha própria bunda confusa, lírica e existencialista, para aprender que pensar demais não é defeito, mas pensar demais no que não existe – e logo, não tem solução – é burrice:
– O problema não é você, sou eu. Vê se trata de ser feliz.
Rani Ghazzaoui
Eu preciso saber
A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentada na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspecão noturna.
Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem "me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo". Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada.
Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.
São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho.
Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!
Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente.
Você acha que ele está com alguém? Não sei, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? do jeito que ele gostava de você? Claro que não!
Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.
Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora nessa cidade, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.
Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei.
O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.
tati bernardi
Sabe aquele tipo de coisa gostosa de se fazer, como ler alguma coisa boa que te deixa com um sorriso alegre e mostra todos os dentes de felicidade?
Aquela coisa brega tipo romance água com açúcar, ou algo muito sério, que te ensine algo.
Tem também aquele filme que a gente assiste e fica imaginando a vida daquele jeito. Ou o comercial de margarina, com a família feliz.
Tem também aquele elogio todo bom, daquela pessoa toda séria que você nunca imaginou que iria um dia falar de você e pior, falar bem.
Sabe aquele dia com as amigas, conversa fiada e comida boa?
Ou deitar na cama depois de um dia longo?
Ou ir ao banheiro quando se esta apertada, esperando liberar o banheiro e quando você começa a fazer xixi parece que não para mais, e o alivio é imediato?
E carinho de mãe quando você só quer colo, abraço de pai quando você faz aquela cagada e ele te olha e em silêncio te diz, “vem cá, ta tudo bem!”
Tirar um dia da preguiça, e praticar o ócio e nem ficar culpada. Passar o dia de domingo na cama, de pijama vendo tudo que tem na TV e dar risada com o Panico.
Fazer comida, e depois alguém falar que estava divino.
Chegar em casa e descobrir que seu prato predileto foi feito.
Receber aquele sorriso gostoso e sincero de criança.
Deitar pra dormir enquanto a chuva cai do lado de fora.
Tirar dez em uma prova ou quem sabe ganhar um presente de surpresa seguido de flores, ou comer uma caixa de chocolate e nada de culpa, afinal você merece.
Sentir cheiro de calçada molhada no verão e ter a sensação de passado, de voltar pra rua de casa, aquela que eu pulava amarelinha.
Rever amigos antigos, aqueles que a gente sente falta dia sim e dia tbm.
Mas nada se compara a sensação de ser amada e amar alguém.
Ou aquele sentimento de saudade, essa saudade gostosa, que dói um pouquinho, mas que você sabe que logo logo vai passar.
Aquele abraço de quem a gente ama, aquele que você se esconde dentro dele.
O olhar de compreensão, de quem te entende, sem ao menos entender nada. É a segurança que te proporciona, o carinho que demonstra, e a maneira que te ama.
Aqueles planos pra vida inteira, sem ao menos saber se terão a vida inteira. Aquele beijo demorado, sem esperar nada, mas recebendo tudo.Aquele amor de alma, que se divide cada sorriso e segura cada lágrima.
Enfim, essa paixão gostosa, esse amor sincero, essa coisa toda que me deixa meio brega, inteira, completa e com o sorriso de comercial de creme dental.
Sabe aquela sensação gostosa que comecei a descrever? É igual a ter borboletas da barriga...
Como disse Coco chanel " Uma mulher precisa de duas coisas na vida: Um vestido preto e um homem que a ame..."
É tão bom ter os dois!!!
Se você não sabe, experimenta amar, faz bem!
Escrito por Sinceras desculpas
40 anos...onde esta a tal Felicidade?
0 comentáriosA maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado,
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 40 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 40, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado a bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com a cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos as titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 40, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptas a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
25/01/2011
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído,fiz questão de esquecer
que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.
Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê
E eu sei que você sabe quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
LA VIE EN ROSE
Eu juro!
Eu não disse nada, mas ela ouviu da minha boca um apaixonadíssimo poema de amor.
Abriu os braços e se entregou de corpo e alma.
Eu?
Fiquei sem ação.
Apenas havia feito um elogio para o sol que se punha lindíssimo no horizonte do mar.
Minha poética rotina, expliquei pra ela.
Ela?
Trancou-se no quarto e engoliu 45 Prozacs com 1 litro de Absolut...
Ao som de "La Vie En Rose", com a Edith Piaf.
Pensei:
Meu Deus! o que tem a ver o pôr-do-sol com a paixão dos suicidas?
TõeRoberto
21/01/2011
Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
Bob Marley
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
É, o tempo é uma coisa relativa
Se hoje fosse ontem, amanhã seria hoje
De qualquer forma eu to tranquila
Do jeito que tá que tá bom
Como dizia o síndico
Vai saber o que o gorila pensa
Pedi minhas contas, viajei e caí no mundão
Vou ver o mundo tendo o mundo como anfitrião
Florestas, rios, cidades e litorais
Pessoas, sentimentos, tradições e rituais
Colocarei meus pés em trilhas, pedras, manguezais
Fazendo o elo entre meus filhos e meus ancestrais
Serei sincera com o meu verdadeiro ser
Quero servir, quero ensinar, eu vim pra aprender
Me sinto em casa em qualquer lugar
Sou viajante
Sou uma parte do todo
Num sonho eu era como o vento e podia voar
Voei pra ver as maravilhas de cada lugar
Dancei com os índios, mergulhei entre os corais
Troquei idéia com um coroa que era demais
Vi dreadlocks e confetes bailando no ar
E três amigas se abraçavam de se transbordar
Agradecida, aplaudi o pôr-do-sol
Por onde for terei seu fogo como o meu farol
É mundão
Unifiquei meu corpo ao teu
E já não existe mais so "eu"
19/01/2011
"Não quer ver malucos?!....quebre os espelhos...."...
0 comentáriosA primeira coisa a fazer quando chegar em Camden Town é visitar os mercados de rua. Comece pelo famoso Stables, que reúne 450 pontos divididos em lojas, restaurantes, bares e clubes. Eles formam um dos lugares mais ecléticos da capital. Por ali, os visitantes encontram moda punk, estúdios de tatuagem e piercings, equipamentos de segunda mão, sebos, lojas de vinil e várias barraquinhas.
CYBERDOG: Atencao Especial pra essa Loja!!!
É uma rave ou uma loja? É bem provável que você se pergunte isso na hora em que entrar na Cyberdog. Afinal, há roupas plastificadas e que brilham no escurode um lado e DJ tocando techno de outro. Para não falar nos vededores, que dançam quase aluciandos entre um atendimento e o próximo. “Mesmo se não compram nada, a experiência já é um tanto divertida”.
Eu não resisti ao ataque de turista boba e tirei foto da foto da Amy!
(Pub em Londres decorado com quadros e fotos autografádos de bandas, artistas e tudo mais....)
O Pub é em Camden Town.
Was just amazing!!!! And definitely the city I loved most!!!
Longe de casa...
0 comentários07/10/2010
Você colherá o que plantar.
Você receberá três vezes mais
Tudo o que aos outros fizer e desejar.
Você será julgada se julgar.
Se mentir, um dia vai desmoronar.
Se tentar ser o que não é, você não mais será;
Será a outra, a cópia e nada mais.
Você precisa se aceitar.
Encontre sua essência e passe a exalar
Inspire-se, mas não copie
Seja diferente. Estilos passam...
Vulgar atrai vulgar.
A essência fica, o verdadeiro fica.
As coisas sempre mudam de lugar.
Encante seu homem diariamente
Os defeitos, não aponte.
Mostra o que gosta;
Mostre onde...
Onde quer ser tocada.
Surpreenda! Seja ousada!
Dispa-se: de preconceitos de vergonhas
Mostre-se como a vida: nua e crua.
Mostre suas pérolas e suas feridas
Suas mulheres, fadas e bandidas.
Aceite sua mulher selvagem
Faça chás para curar a dor.
Saúde a lua...
Comungue com a natureza
Viva a celebrar.
Seja a senhora de suas ruas....
De seu destino.
E colha o que semear.
Carolina Salcides
17/09/2010
20/08/2010
Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir nova em folha.
Viajar me deixa tensa antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheia de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!
ah brasil? cadê vc?
0 comentáriosacorda alices, já era....2014 tamo aqui de novo com nossas fantasias....
28/07/2010
Livre como um Deus
Não fique triste assim
Não vale a pena
Erros e acertos
São filhos do mesmo pai
E a mãe que fez a dúvida
Deu vida a certeza
O tempo há de mostrar
O mundo se transformar
Mais triste é quem diz
Que para um problema
Só existe a solução
Da matemática
O que me faz feliz
São coisas pequenas
Um lindo arco-íris
Riscando o fim de tarde
E eu olho pra você
E vejo toda a graça
Seus olhos brilham pretos
Seus lábios sem palavras
Seus gestos com timidez
Seus dedos bem pintados
Seu rosto sem segredos
Sorrindo leite em lágrimas
Guarde esse amor
Ele é todo seu
Lindo como a flor
Livre como um deus
Nando Reis
A Voz Do Silêncio
Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.
Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.
Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.
Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
“Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!”
É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.
E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.
Marta Medeiros
A cada ano de vida, sinto que meu tempo se esgota mais rápido, faltam sempre horas e dias para se fazer o que gosta e sobram aqueles momentos em que a gente reza pra passar rápido.
Não posso dizer que tudo esteja tranquilo e calmo, mas estou bem. Voltei a fazer regime. Estou imensa de gorda (como nunca estive) , tenho que pensar que não posso mais ser gorda pra sempre, a idade começa a pesar, ainda que a saúde esteja bem agora, como sempre esteve.
Na vida afetiva, estou feliz, mesmo que fique muito triste e angustiada às vezes, por conta das decepções da vida...mas a vida é assim mesmo...só sei que
Londres ai vou eu...
0 comentáriosSim, Londres é tudo isso o que dizem. É uma das mais notáveis e excitantes cidades do mundo! Ela tem sempre alguma coisa diferente para oferecer a cada tipo de visitante. Uma terra de vanguarda, multicultural e com arquitetura espetacular. Tudo isso porque no século 20, a cidade foi palco de importantes transformações culturais.
Agora, algo que parece inútil, mas que será ótimo para você não se sentir completamente um patinho feio quando chegar por lá, é que Londres reúne gente de todas as idades e classes sociais. Muitos são turistas e também imigrantes com intenção de morar por lá. Esta diversidade cultural é um dos fatores que mais tem contribuído para aumentar, dia-a-dia, a popularidade da cidade, que tem hoje 7 milhões de habitantes. A quantidade de tendas, mercados, restaurantes, parques e centros esportivos impressionam desde o primeiro momento.
Cultura
Se você gosta de arte, com certeza não pode deixar de visitar o British Museum, o mais famoso de Londres com um acervo de 4 milhões de peças contendo (e não erramos nos números, não. São 4 milhões de peças mesmo!): raridades arqueológicas, pinturas, esculturas, manuscritos, moedas antigas. Um lugar imperdível é o Museu de Cera Madame Tussaud’s que é fantástico. Você vai encontrar de tudo. Calma aí! A rainha da Inglaterra ainda está viva, não espere encontrá-la por lá.
Reserve um dia para ir até a Tate Modern, galeria instalada em uma antiga usina às margens do rio Tâmisa, que apresenta obras de arte do século 20. Saindo da Tate pelo lado direito, siga pela margem do rio até o The Globe, réplica do teatro elizabetano onde Shakespeare encenou suas peças teatrais. Tá bom, vai, não queremos traçar todo o seu passeio, mas existem lugares que você vai se arrepender se não for. (Ir ou não ir? Eis a questão!)
Comida
A comida inglesa já foi considerada uma das piores do mundo, ainda mais para nós que somos acostumados com fartura. O prato mais popular da Inglaterra é o "fish & chips" (peixe com batatas fritas) que é vendido em milhares de lojinhas fast-food e vem embrulhado em um cone de jornal (Peixe, batata e jornal? Eca! Calma, é estranho, mas é bom).
Apesar de caros por causa do câmbio, Londres tem restaurantes de todas as nacionalidades, inclusive brasileiros. São mais de 6 mil, um para cada gosto. Portanto, nada de passar fome por lá.
Noite
Para você que é baladeiro, a vida noturna da cidade é bastante agitada. São dezenas de pubs, restaurantes, danceterias e cinemas.
Além disso, existem várias opções de teatros e você pode comprar ingressos bem baratos no Half Price Ticket Booth e na Leicester Square, que sempre oferecem bilhetes pela metade do preço (somente para o próprio dia).
Quer uma boa notícia? Apesar dos pubs fecharem às 11 horas da noite, a vida noturna de Londres vai longe. Os clubs, como são chamadas as baladas lá, funcionam direto e as opções são variadas. O Salsa, por exemplo, é um club onde brasileiros se reúnem todas as terças.
O Ministry of Sound é um dos maiores clubs da Europa, com quatro bares e quatro ambientes diferentes. Reúne os melhores DJ’s do mundo e é aconselhável chegar cedo para não enfrentar filas enormes. Outro point é o Notting Hill Arts Club que, apesar de pequeno, é bem agitado.
Passeios
Longe das baladas, mas perto dentro dos pontos turísticos, vale dar uma passada pela London Eye. De lá, você terá uma visão de até 40Km (pois é, Londres te leva para as alturas, sim) de uma das 32 cabines fechadas e envidraçadas da roda gigante. O que mais chama atenção é a vista do Rio Tâmisa e do Big Ben.
Pronto! Chegamos ao maior símbolo de Londres: o Big Ben. Será que foi isso que tornou os ingleses tão rígidos com os horários? Bom, isso não interessa, mas vale ficar esperto com os compromissos, lá a pontualidade britânica vale sim. Bem ao lado do Big Ben fica a Abadia de Westminste, o lugar onde os monarcas são coroados e enterrados desde o século XI. No mesmo caminho está a Tower Bridge Exhibition, uma ponte do século XIX que cruza o Rio Tâmisa.
Como um pouquinho mais de cultura não faz mal para ninguém, dê uma passada pela Tower of London, um castelo que foi palco de prisões e decapitações de nobres, reis e rainhas. Hoje, guarda as jóias da Coroa Britânica, que podem ser vistas pelos visitantes. Aproveite o embalo histórico e vá também ao Palácio de Buckingham, a residência oficial da rainha Elizabeth II. Esse palácio tem mais histórias para contar do que o Tom Hanks no clássico Forrest Gump.
Outro passeio que vale a pena é o Hyde Park, principalmente aos domingos, passando pela Speak Corner. Lá, palanques são armados e abertos para quem quiser discursar ou defender alguma causa. Pode preparar o seu texto, porque lá vale subir e falar o que pensa. É o nosso Parque do Ibirapuera, nas devidas proporções, é claro.
Transporte
Não precisamos nem falar que visitar os pontos turísticos da cidade em um dos tradicionais ônibus vermelhos de dois andares é a melhor escolha. Primeiro por ser um dos passeios mais completos, segundo porque não dá para passar por Londres e nem entrar neste famoso personagem de todos (todos!) filmes londrinos.
Ok, você é brasileiro e gosta de coisas rápidas e que não tomem muito tempo, por isso, vale saber que o jeito mais fácil de se locomover em Londres é usando o metrô ("tube"). Há estações perto de todas as atrações turísticas. Se for necessário usar mais de uma linha, o ideal é comprar um "travelcard", bilhete válido para o metrô e para o ônibus também. O preço varia conforme a validade (um dia ou uma semana) e a distância em relação ao centro.
Mas, se você pensa em desembolsar uma grana a mais e preservar a comodidade, os táxis ("black cabs"), embora caros, são uma opção segura. Alugar um carro também pode ser uma boa idéia, mas você pode demorar para se acostumar a dirigir. Calma! Não achamos que você manda mal no trânsito, mas lá o volante fica do lado contrário. De modo geral a cidade é bem sinalizada, com indicações para todos os principais pontos turísticos.
Compras
Londres também é uma cidade para você detonar seu cartão de crédito. Lá existe uma enorme oferta de produtos e serviços. É possível fazer compras em algumas das melhores lojas, como a Harrod’s e a Fortnum and Mason. Conheça também a nova Top Shop, uma loja bem diferente das tradicionais.
Se o que você procura são novidades da música, vá até a Tower Records, em Picadilly Circus, ou a uma das lojas da rede Virgin. Na Baker Street tem uma loja especializada só em artigos relacionados aos Beatles, é impossível não passar por lá. Em Charing Cross Road ficam as boas livrarias.
Se faltou tempo e as suas compras ficaram só para os fins-de-semana, corra até os mercados de rua, como o de Portobello, em Notting Hill. Em Candem Town, além de fazer boas compras, você pode ter a oportunidade de ver alguns punks que fazem do local seu ponto de encontro aos domingos. Sim, é praticamente um circo ao céu aberto.
Apesar de Londres ser considerada o paraíso das vendas, as coisas são bem caras. Normalmente, a cidade tem dois períodos de liquidação: Janeiro e Julho (aproveite!). Mas cuidado, porque a Libra não é Real, e apesar da pontualidade inglesa, você pode voltar mais cedo para o Brasil, pior, sem dinheiro.
Informações Gerais
O fuso horário entre o Brasil e Londres é de 3 horas (os relógios de Londres marcam 3 horas a mais que o horário de Brasília).
A Inglaterra não aderiu ao Euro, portanto, a moeda utilizada lá é a Libra Esterlina.
O clima é bastante instável, então é aconselhável levar agasalhos em qualquer que seja a estação.
A voltagem padrão do Reino Unido é 240v AC, 50HZ. É preciso usar um adaptador de tomada com três pinos quadrados e/ou um conversor para os aparelhos elétricos.
O código telefônico da Inglaterra é 44 e de Londres, 20.
Clima: o verão vai de junho a setembro (média de 20ºC) e o inverno, de dezembro a março (média de 6ºC)
Informações retiradas do site:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/inglaterra/londres.php
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10/07/2010
hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos
o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos
a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos
a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos
aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos
coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos
Vovó Pity...aff
0 comentáriosVou ser avó!!!!....e agora?
Aos 42 anos de idade em plena crise ...recebo esta notícia!
È claro que estamos todos muito felizes, mas confesso que estou assustada!
Tenho pensado em tantas coisas que nem sei por onde começar...mas uma coisa é certa, acho que não vou ser daquelas avós insuportáveis e possessivas....o neto È MEU! e ai daquela outra vó se meter!
Eu que vou comprar o enxoval, eu que vou dar os primeiros banhos, eu quero dar o nome....affff !!! será que vou deixar minha filha segurar MEU babezinho????....hummmm complicado!
O que faço com as férias, os feriados, os finais de semana....com ele longe de mim?!!!!ahahahahahhaha...mas eu juro que não sou possessiva!
"Pity" é assim que ainda sou chamada pela família toda....afff vovó Pity! A criança desiste...kkkkkk
"Quem dera eu achasse um jeito de fazer tudo perfeito, feito a coisa fosse o projeto e tudo já nascesse satisfeito" Mário Quintana
Queria descobrir
Em 24 horas tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria
Zélia D...
Quando comecei a escrever um blog, pensei nele como um diário, onde eu pudesse colocar meus sentimentos, meus conflitos internos..mas logo, logo desisti...
Eu diria que meu blog retrata discretamente esses conflitos... pela poesia me exponho!
30/04/2010
19/03/2010
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.
16/03/2010
francamente, eu deslizava em diração ao fundo do poço
sentindo-me realmente desprezível e acabada
quando tive sorte com essa dama em sua enorme cama
coberta por um dossel enfeitado de jóias
mais
vinho, champanhe, cigarros, boletas e
televisão a cores.
bebemos vinho, champanhe, fumamos, detonamos as boletas
às duzias
enquanto eu (sentindo-me desprezível e acabada)
tentava superar o caso que havia terminado mal.
assistia à tevê tentando embotar meus sentidos,
mas a coisa que realmente ajudou
foi esse drama muito longo
(especialmente escrito para a televisão) sobre
espiões...
espiões americanos e espiões russos, e
todos eles eram tão espertos e
bacanas...
até mesmo seus filhos não sabiam
suas esposas não sabiam, e
de certo modo
eles mesmos quase não sabiam...
e logo vieram os contra-espiões, os agente duplos:
caras que trabalhavam para os dois lados, e
e então um deles passou de agente duplo
a agente triplo,
e tudo se tornou agradavelmente confuso...
acho que nem o cara que tinha escrito o roteiro
sabia oque estava acontecendo...
aquilo segiu por horas!
hidroplanos se chocando contra icebergs,
um padre em Madson matou seu irmão,
um bloco de gelo foi despachado num cofre para o Peru
no lugar do maior diamate do mundo, e
loiras entravam e saíam de quartos comendo
nozes e doces recheados com creme
o agente triplo passou
a agente quadruplo e todo mundo amava
todo mundo
e eu segui vendo aquilo
e as horas passaram e
e finalmente tudo desapareceu como um clipe de papel em
em meio a uma cesta de lixo e eu
me aproximei do aparelho e o desliguei e
pela primeira vez em uma semana e meia
dormi bem.
Eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enojada. Pensar em ser uma advogada ou uma professora ou uma engenheira, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar presa a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em famílias, festas de Natal, Dia das Mães... afinal, é para isso que nasce uma pessoa, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.'
I M P O R T A N T E
0 comentáriosNem sempre as pessoas dizem o que querem dizer.
Nem sempre as pessoas usam as palavras certas.
Nem sempre as palavras correspondem à verdade.
Nem sempre as pessoas ouvem o que o outro disse.
Nem sempre as pessoas entendem o que foi dito.
Nem sempre as pessoas sabem o que o outro quis dizer.
Nem sempre as palavras são aquilo que se queria que fosse.
Nem sempre há palavras.
Haverá sempre pessoas sem saber o que dizer.
Haverá sempre pessoas que não entendem o que foi dito.
Texto: Carla Cristina de Carvalho
LI esse post no blog da monga e copiei...concordo plenamente!!!
0 comentáriosAmbiente de trabalho integrado com ambiente doméstico não funciona. Pode existir todo um estudo arquitetônico pra fazer de conta que a ex-sala de casa é o novo escritório, mas não funciona.
Faz parte do ritual profissional a caminhada até um outro lugar; que não é só divorciado em limite geográfico, mas sobretudo é símbolo de "espaço diferente".
É preciso deslocar-se. O caminho de ida e volta do trabalho é um composto químico poderoso de armazenamento ou esvaziamento de energia.
Qualquer coisa diferente disso, vira uma jaula integrada, um loft claustrofóbico de criar neuroses.
"Custei a compreender que fantasia/
É um troço que o cara tira no carnaval/
E usa nos outros dias por toda a vida"...
(Aldir Blanc)
Eu adoro as formas distintas com que algumas pessoas me apontam a direção.
Na maior parte das vezes eu consigo chegar ao destino justamente porque desobedeço todas as indicações.
Só maneira de falar...
0 comentários"A verdade
É que eu não sou a virgem pura
Que lhe pareço ser.
Este mundo já me fodeu tanto
Que seria uma puta hipocrisia
Dizer o contrário."
(Patrícia Colmenero).
10/03/2010
Eu quero mais sinceridade e menos teatro na vida das pessoas, eu quero uma Subway dentro da minha casa, eu quero ser mais tolerante, eu quero dinheiro para livros e viagens, eu quero ser menos racional, eu quero ser mais racional, eu quero não ter que pensar em sexo para ficar acordada na aula de Filosofia, eu quero o teletransporte, eu quero um clima agradável, eu quero poder controlar a cor do céu, eu quero viver nos anos 60 e 70, eu quero mais vinho do que sangue no meu corpo, eu quero mais senso crítico na cabeça dos humanos, eu quero a legalização, eu quero toda cultura do mundo, eu quero uma casa com uma piscina de plástico no meio da sala, eu quero menos pressão para eu ter filhos, eu quero não sentir ciúmes, eu quero casar aos 20 anos, eu quero um mundo com cheiro, sabor, cor e sensação lisérgica, eu quero os Beatles, eu quero mais respeito aos animais, eu quero um home theater, eu quero o fim da espécie humana, eu quero não ter que ser sociável, eu quero entrar na mente do Thom Yorke, eu quero me formar em Jornalismo, Antropologia, História, Letras, Filosofia e Cinema, eu quero mais música e menos crueldade, eu quero que o queijo não seja feito às custas do sofrimento de animais, eu quero o fim do capitalismo, eu quero galão de 5l da Coca-Cola, eu quero que o Jim Morrison vá tomar no cu, eu quero o fim do preconceito, eu quero conhecer toda a América Latina e os Andes, eu quero que os universitários ativistas entendam que o anarquismo é só bonito, eu quero mais sexo, eu quero ser menos contraditória, eu quero descobrir todos os segredos metafísicos, eu quero todos os livros do Bukowski e todos os filmes do Almodóvar, eu quero ter feito a Helter Skelter (a música e não a guerra), eu quero que muitas pessoas morram, eu quero que uma pessoa volte, eu quero morar em uma montanha, eu quero que as pessoas entendam Nietzsche e Jesus Cristo, eu quero menos hipocrisia, eu quero não me sentir tão superior e deslocada socialmente, eu quero ficar perto dele todos os segundos da minha vida, eu quero ir embora dessa cidade, eu quero que o tempo pare de ser contrário à minha vontade, eu quero ver shows de todas as bandas que eu gosto, eu quero decorar o Livro das Perguntas do Pablo Neruda, eu quero ser fotógrafa profissional, eu quero que todos me invejem porque eu tenho o melhor namorado do mundo, eu quero saber me expressar oralmente tão bem quanto na escrita, eu quero aprender a fazer poesias, eu quero gostar de política atual, eu quero o fim do sexismo, eu quero pais mais compreensíveis, eu quero ter paciência e dedicação de ler o Manifesto do Partido Comunista (e qualquer outra coisa do Marx), eu quero entender Rimbaud, eu quero que futilidade não seja sinônimo de feminilidade, eu quero um armário na cozinha só com azeitona, palmito e champignon, eu quero apagar coisas do passado, eu quero aprender melhor com os erros, eu quero ser responsável, eu quero a cura da TPM, eu quero que as minhas bolsas não quebrem, eu quero que a minha faculdade seja mais perto da minha casa, eu quero drogas saudáveis, eu quero gritar 'eu te amo' tão alto que possa ser escutado em Brasília, eu quero um show do Radiohead, Los Hermanos e Kraftwerk na minha cidade, eu quero falar as coisas certas, do jeito certo, na hora certa, eu quero voar com asas de cera que não derretem, eu quero mais verde e menos cimento, eu quero 5 quilos, eu quero a voz da Janis Joplin e da Rita Lee, eu quero um pinguim, uma jaguatirica e um psyduck, eu quero tocar gaita e piano, eu quero um jornalismo menos apelativo e sensacionalista, eu quero mais respeito com o relacionamento e menos síndrome de 'free love', eu quero que o computador não canse a minha vista, eu quero que as minhas unhas não quebrem, eu quero que Vanilla Sky seja baseado em fatos reais e que Terráqueos seja ficção, eu quero um sítio em uma serra, eu quero fazer yoga, eu quero pegar a estrada no deserto do México que nem no começo do Medo e Delírio, eu quero pisar na lua, eu quero tomar chás alucinógenos com xamãs no Peru, eu quero mais reciprocidade nas amizades...(Gabi Trindade)
















